Quando o amor também vira fotografia.
No Parque dos Poderes, em Campo Grande, tem algo que vai além da corrida, do pace ou da medalha no peito. Tem amor.
E, dessa vez, ele não está só nos passos dos corredores e, sim, nas lentes de quem registra cada segundo.
Pedro Pachedo, 23 anos, natural de Santa Maria, não veio parar na Cidade Morena por acaso. Veio por amor.
Ele e a fotógrafa Fabiana Santandel estão juntos há quatro anos. O início foi como muitas histórias: à distância. Ele em Brasília, ela em Campo Grande. Ambos filhos de militares, acostumados com mudanças, mas talvez sem imaginar que a maior delas seria interna.
Nenhum dos dois trabalhava com fotografia.
Até que tudo começou a acontecer.

Pedro deu os primeiros passos fotografando nos parques de Brasília. Mas foi a decisão de atravessar o país e a saudade, isso que mudou o rumo de tudo. Ele deciciu acompanhar o pai militar transferido de Brasília para Campo Grande. “Eu vim atrás dela e a gente se encontrou na fotografia. A nossa vida mudou totalmente.”
E mudou mesmo. O que começou com poucos — ele, Fabiana, a irmã dele Inara e alguns amigos, hoje virou uma rede de fotógrafos espalhados pelas provas, capturando histórias que nem sempre cabem em palavras. Mas, estão em imagem.
E diga-se cada retrato.

As fotos do Pedro têm algo difícil de explicar: elas brilham. Não só pela luz perfeita ou pelo enquadramento preciso, mas porque carregam sentimento. É como se cada clique entendesse exatamente o que aquele corredor está vivendo. “O que mais me dá gás são os corredores passando, gritando, dando bom dia, a galera feliz. É muito recompensador.”
E é aí que tudo se conecta, porque enquanto milhares correm buscando superação, saúde ou liberdade, existe uma família inteira correndo junto, mesmo parada.
Pedro, Fabiana e Inara vivem a fotografia. Dia e noite. Nos treinos, nas provas, nas ruas do Parque dos Poderes.
Eles não apenas registram a corrida, eles fazem parte dela. Talvez, seja por isso que cada foto tenha tanto significado. Porque, no fim, não é só sobre quem cruza a linha de chegada. Tem sempre alguém ali, silenciosamente, garantindo que aquele momento nunca se perca.
A paixão pela foto foi em dose tripla

Tudo começou quando Inara acompanhou o irmão Pedro para fotografar no Parque da Cidade, em Brasília. “Foi ali que nasceu nosso amor pela fotografia”, contou a irmã.
No fim de 2023, eles já estavam em Campo Grande. “A Fabiana já morava aqui, o que facilitou muito para eles dois ficarem mais próximos. Eu estava grávida do meu primeiro filho e, mesmo assim, nos finais de semana seguia indo ao parque com o Pedro e a Fabiana para fotografar. Não foi fácil, sentia muito enjoo e cansaço, mas eles sempre cuidaram de mim e estavam presentes em todos os momentos.”
Depois que o filho nasceu, Inara se afastou por um tempo. “Quando voltei, foi uma sensação incrível. Percebi o quanto sentia falta de fotografar e da paz que aquele lugar traz. Os corredores nos receberam de braços abertos, e é muito especial acompanhar e registrar a evolução de cada um. O carinho e a gentileza de todos fazem uma diferença enorme, deixam qualquer dia mais leve”, comentou.

Ao longo do tempo, a família construiu amizades. “Hoje, tenho a alegria de caminhar pelo parque com meu filho e mostrar a ele esse espaço que faz parte da minha vida, cercado de gente tão querida. A fotografia é a minha forma de expressão, uma arte que carrega sentimento em cada clique.”












