Têm coisas que a gente não lembra só com a cabeça. O corpo lembra antes! Um cheiro, um gosto ou um simples gesto e, de repente, estamos de volta a um tempo que parecia distante.
Com as plantas isso acontece o tempo todo comigo!
Outro dia, preparando um xarope de guaco, fui atravessada por uma lembrança inteira. Não foi apenas uma simples memória, foi como se eu estivesse novamente na chácara, criança, vendo minha mãe no fogão a lenha, mexendo a panela com aquele cuidado que só o tempo silencioso ensina. O cheiro do guaco aquecendo com o gengibre, o leve doce do açúcar queimado, o vapor subindo devagar. Tudo aquilo me trouxe de volta uma sensação de proteção difícil de explicar. Era mais que um remédio caseiro para curar a tosse. Era um jeito simples de cuidar.

Tudo aquilo me trouxe uma sensação de proteção difícil de explicar. Era mais do que um remédio pra tosse . era um jeito simples de cuidar.
O guaco, tão comum nos quintais brasileiros, sempre esteve presente na nossa infância. Crescia fácil, quase como quem sabe que é necessário. Hoje sabemos dos seus benefício, ação expectorante, auxílio nos problemas respiratórios, alívio para tosses e resfriados. Pra mim, o guaco vai além. Carrega história.

Carrega memória de um cuidado que vinha da terra, das mãos e do tempo dedicado ao outro. Talvez seja por isso que eu acredito tanto no poder das plantas. Elas não cuidam só do corpo físico, ela nos reconectam com aquilo que nos fez sentir seguros um dia. para um preparo simples como um xarope de guaco é também um convite para desacelerar, observar e sentir. E também lembrar que o cuidado pode ser construído com poucos ingredientes, mas muita presença.
Deixo aqui a receita desse xarope que atravessa gerações da minha história.
Xarope de guaco

Queime levemente uma colher de açúcar até formar um caramelo. Acrescente um punhado de folhas de guaco, frescas ou secas, um pedacinho de gengibre, se tiver e cerca de meio litro de água.
Deixe ferver por aproximadamente 10 minutos. Depois de desligar, adicione folhas de hortelã ou menta. A cidreira de folha também pode ser usada, porque tem ação antigripal. Armazene na geladeira e utilize em casos de tosse e resfriado.

Mais do que uma receita, esse xarope é uma lembrança viva. E talvez seja isso que as plantas fazem, guardam histórias e muito amor.
Marcia Chiad é jornalista e empresária no Recanto das Ervas
@recantodaservascg












