Comecei a correr e não gostei…

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Alanis cruza a linha de chegada da Live!Run, em Campo Grande: do "o que estou fazendo aqui?" à celebração a cada prova completada. (Foto: Arquivo Pessoal)

Alanis cruza a linha de chegada da Live!Run, em Campo Grande: do "o que estou fazendo aqui?" à celebração a cada prova completada. (Foto: Arquivo Pessoal)

Minha primeira experiência na corrida foi há muitos anos, talvez em 2017, talvez antes. Minha mãe e meu pai já corriam, e começaram a me convidar para ir. Eu, sabendo o tanto que gostavam, fui.

E a verdade é que eu não gostei. O ar não vinha, as pernas não acompanhavam, meu corpo coçava, a mente não desligava e o tempo nunca passou tão devagar.

Mesmo assim, continuei aceitando os convites. Não ia com tanta frequência, mas quando estava presente tinha como motivação agradar meus pais e passar um momento em família.

Até cheguei a participar de provas – e peguei pódio. Quem poderia imaginar?

Não se engane: na época, a corrida de rua não era tão popular quanto hoje, e a categoria sub 18 anos tinha pouca concorrência. Era fácil ter destaque. Mas, nem assim, subindo no pódio e conquistando troféu, me encantei.

Meus treinos eram esporádicos. Em alguns meses, eu corria apenas uma ou duas vezes. Só animava a treinar quando alguma prova legal estava próxima, como a Corrida do Pantanal, sempre marcante.

Toda vez que participava de eventos, vivia o mesmo ciclo: do momento em que meus olhos abriam pela manhã, até a metade do percurso, o pensamento que me dominava era: “o que estou fazendo aqui?”. Da segunda metade para o final, vinha a realização: “Uau, são 7h e eu já corri 5km!”. Depois, o cansaço e a vontade de dormir a tarde inteira.

No fim de 2024 (sim, sete anos depois das minhas primeiras experiências com a corrida) eu finalmente consegui trocar de turno no trabalho, o que me possibilitou começar a acompanhar meus pais nos treinos, que eram feitos às quartas e sextas, no fim da tarde.

E foi ali, na constância, que o encantamento pelo esporte finalmente chegou.
Entendi o que fazia as pessoas saírem na rua antes do sol nascer, durante o calor do almoço, no cansaço do fim do dia ou até mesmo tarde da noite, na “hora que deu”, para concluir o sagrado treino.

Foi com a repetição que eu conheci as sensações e satisfações proporcionadas pela corrida.

E não precisava de muito. Naqueles 30 minutinhos, duas ou três vezes na semana, fui compreendendo o funcionamento do meu corpo, descobrindo minha capacidade, e conhecendo meus limites.

É até engraçado falar isso, mas foi um choque: não é que a constância trazia mesmo resultado?

Vi surgir uma consciência corporal diferente, como uma meditação. Uma conexão plena entre corpo e mente.

Comecei a entender os sinais da minha respiração; sentir a circulação aumentando, as pernas, braços e barriga coçarem com o aumento do fluxo; os músculos contraindo e relaxando conforme as passadas; os pés, abraçados pelos tênis, em contato com o asfalto e as inevitáveis pedrinhas do caminho.

E nesse processo, achava gratificante acompanhar o meu corpo, e principalmente a minha mente, aguentarem alguns minutos a mais. Metros a mais. Quilômetros a mais.

Minha mãe, corredora há quase 13 anos e personal trainer, me ensinou os famosos treinos intervalados e a rodagem, que comecei a seguir religiosamente.

E aqui está algo que comecei a adorar na corrida: celebrar cada pequeno avanço.

Se antes corria 4 minutos e precisava descansar caminhando 2, agora eu descansava caminhando só 1 minuto e meio. (Só quem corre entende a felicidade de 30 segundos a menos caminhando).

Ou o avanço de correr 4 quilômetros no mesmo tempo em que costumava correr três.
E o fenômeno dos 5 quilômetros? Parece que, depois que você corre 5 quilômetros pela primeira vez, correr menos que isso não tem mais graça.

Cheguei aos 8 km de forma culposa, e vi os pensamentos de “O que estou fazendo aqui?” voltarem. Eu tinha ganhado a inscrição na véspera, então foi tudo no susto, e saí um pouco traumatizada. Três meses depois, estava fazendo 7km na Corrida do Pantanal, porque 7km tudo bem, mas 8 já era demais.

Na Corrida do Pantanal, a prova que ela descreve como “sempre marcante”, Alanis mostra que correr também é diversão. (Foto: Arquivo Pessoal)

E assim, aos poucos, fui evoluindo. Sem pressa, respeitando meus limites e meu corpo.
Em junho de 2025, fiz meus primeiros 10 km, e falei para todo mundo que nunca mais correria essa distância. Em setembro, fiz de novo, e repeti a promessa. Em outubro, mais uma vez. E vou ser sincera: já tenho outra prova de 10 km na mira.

Escrevo tudo isso para te dizer: está tudo bem não gostar de uma atividade física de primeira, mesmo que todo mundo te diga que adora e o quanto ela é boa. Não tem problema ir no seu ritmo, por mais que todo mundo pareça mais rápido, mais resistente e mais preparado que você. O importante é persistir, respeitar seu corpo, e estar em movimento.

Testou e não gostou? Dê outra chance. Tente outro esporte. Volte. Tente de novo.

Você nunca se arrepende de ter começado.

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