Caminhada pela Adoção reúne histórias de amor, novos começos e vida saudável

Foto: Fabrício Bazé

Entre passos e histórias, a Caminhada pela Adoção é o verdadeiro retrato da tão esperada endorfina que muitos buscam no dia a dia. Ali, havia felicidade em estado puro. “Ver isso aqui, gente, é muito lindo”, disse emocionada a empresária Camila Amorim Dias Baruffi, de 32 anos, que representa tantas famílias que encontraram no amor uma nova forma de viver.

Mais de 300 participantes percorreram o trajeto do Bioparque Pantanal até a entrada do Parque dos Poderes, em evento organizado pela Coordenação da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. A maioria era formada por famílias adotivas, pessoas que já passaram pelo acolhimento e adolescentes que ainda aguardam um lar.

Mais do que uma caminhada, o evento reuniu histórias capazes de transformar qualquer coração.

No percurso, famílias caminhavam juntas, riam e celebravam a própria trajetória. O professor Mateus Gabilanes, de 29 anos, levou até a cachorra Kiara para participar do momento. “Viemos acompanhar minha mãe e agradecer pela vida da minha irmã, que chegou em casa com sete anos e hoje tem 19”, contou.

Entre tantos encontros emocionantes, Ana Clara chamou atenção pelo sorriso leve e espontâneo. Ao lado da mãe Márcia, respondeu de forma simples quando perguntada se lembrava da adoção: “Eu sinto que sempre estive com a minha família.”

Atraído pela caminhada, Reginaldo Martins contou para uma das organizadoras do evento, Doêmia Ceni, que levou a mãe para fazer a sua primeira caminhada. O momento reforçou como o evento também aproximou famílias da prática esportiva e do convívio ao ar livre.

Espera e chegada inesperada

Para Camila Baruffi, a adoção mistura espera e surpresa ao mesmo tempo. A filha chegou aos dois anos de idade, depois de um ano e dois meses na fila. “Quando o telefone toca, a vida muda completamente”, resumiu.

Filho do coração

As mães do Kaleb, a diretora de escola Jaqueline Dias e a servidora pública Eliete Fonseca Moraes, têm a prova de que a mãe biológica do filho fez um verdadeiro gesto de amor. Ela o entregou para adoção logo após o nascimento. “Ele veio para nós com quatro dias de vida. Não tínhamos nada preparado. Foi tudo no susto e fomos nos adaptando”, conta Jaqueline.

Eliete tirou licença por oito meses e ficou exclusivamente dedicada aos cuidados do bebê. Hoje, aos seis anos, Kaleb faz questão de contar a própria história.

“Eu fui adotado. Eu tinha quatro dias de nascido e minhas mães me pegaram na maternidade. Hoje, eu pedi para tirar foto com a tia, a juíza Katy Braun, que me entregou para as minhas mães”, disse.

A desembargadora Elizabete Anache reforçou que a adoção deve sempre olhar para o direito da criança de viver em família. “Não é para preencher o desejo de ser mãe ou pai e, sim, a gente busca uma família para fazer uma criança feliz”, disse.

O evento também mostrou que atividade física e afeto podem caminhar juntos. Para o servidor do Tribunal de Justiça Diógenes Ferracini Duarte, a mobilização foi emocionante.

“Foi fantástico reunir essa turma. Plantar a semente da adoção junto com a prática esportiva foi algo muito bonito de ver.”

Para ele, também foi interessante observar como o tema atraiu praticantes de esportes. “Ter colocado a inscrição na Kmais ajudou a atrair pessoas da corrida”, disse.

Mãe e filha adotiva, Diná Campos e a publicitária Joyce Campos, de 23 anos, fazem academia juntas e, quando souberam da caminhada, não hesitaram em participar do evento. “É a nossa história e gostamos de exercícios”, disse a mãe.

No fim da caminhada, ficava difícil não perceber: ali, cada passo carregava muito mais do que quilômetros. Carregava histórias de pertencimento, reencontros e amor.

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