Aos 40 anos, a jornalista Laura Holsback vive hoje uma rotina que, até pouco tempo, parecia improvável: treinos frequentes de musculação, alimentação equilibrada e uma relação mais consciente com o próprio corpo. A mudança, no entanto, não nasceu de afinidade com academia, mas da necessidade e de uma decisão firme de mudar.
“Eu nunca fui uma pessoa que gostou de academia. Não me via naquele ambiente”, relembra. Ela conta que a resistência vem desde a adolescência. “Cheguei a me matricular, mas fui três dias e nunca mais voltei”, admite.
O histórico de saúde, porém, sempre apontou para outro caminho. Em 2011, Laura sofreu um grave acidente de trânsito que resultou em fratura exposta no joelho e sérias consequências na articulação. Foram 10 meses em uma cadeira de rodas e um alerta médico que nunca saiu da memória.
“O médico foi muito direto: ‘de uma prótese de joelho você não escapa’. Eu ouvi isso aos 26 anos”, afirma.
Mesmo com a recomendação de fortalecer a musculatura, ela adiou por muito tempo qualquer mudança. “Como eu não gostava de atividade física, fui empurrando. Preferi conviver com a dor”, assume.
Da dor à disciplina: a virada que começou aos 37 anos
A virada só aconteceu em 2023, aos 37 anos, motivada por uma combinação de fatores práticos e pessoais. Na época, trabalhava em um emprego onde tinha duas horas de almoço: tempo que passava, na maior parte dos dias, dentro do carro.
“Eu ficava duas horas parada, dentro do carro, sem fazer nada. Aquilo começou a me incomodar”, relata. Foi então que a inauguração de uma academia próxima ao trabalho abriu uma nova possibilidade. “Pensei: preciso usar esse tempo com algo que me faça bem e que seja produtivo”, diz.
Determinada a não desistir novamente, Laura adotou uma estratégia. “Eu sabia que sozinha eu ia largar. Então paguei personal. Foi uma forma de me obrigar a ir e também de aprender, porque tenho limitações”, explica.

O início não foi fácil. Com restrições físicas, ela precisou adaptar toda a rotina. “Eu não posso pegar peso alto, não posso fazer qualquer exercício. Meu treino é leve, com caneleiras, cargas menores”, pontua.
Com o passar dos meses, a constância começou a trazer resultados e a mudar sua percepção.
“O que era obrigação virou hábito. Hoje eu gosto de treinar”, afirma.
A transformação também passou pela alimentação. Em cerca de três meses, Laura perdeu quase 10 quilos. “Eu fiz um regime bem restrito. Queria resultado e fui focada”, destaca. Durante esse período, também parou de consumir bebidas alcoólicas por praticamente um ano. “Nem foi esforço, eu simplesmente não tinha vontade”, acrescenta.

Ela ainda brinca ao avaliar a própria trajetória. “Eu costumo dizer que saí da água para o vinho. Se lá atrás disseram que eu não ia escapar da prótese, agora pelo menos estou tentando adiar essa conta o máximo possível”, diz.
Laura reconhece que a genética contribuiu para o desenvolvimento muscular, mesmo com treinos leves. Mas reforça que o principal ganho foi na qualidade de vida. “Seria mentira dizer que estou sem dor. Não estou. Mas melhorou muito e se por algum motivo fico dias sem ir à academia a dor intensifica novamente”, afirma.
Saúde mental: o impacto além do físico
Além do alívio físico, a mudança teve reflexos profundos na saúde mental, especialmente em momentos mais delicados. “Teve uma fase de muita dor em que minha mente foi muito atacada pelo inimigo, com pensamentos negativos. Foi um período difícil”, lembra.


Segundo ela, a atividade física teve papel essencial também nesse aspecto. “A atividade física ajuda não só o corpo, mas a mente. Você fica mais forte por dentro também”, destaca.
Hoje, ela faz questão de incentivar outras pessoas a cuidarem da própria saúde, independentemente da idade ou das limitações. “Não espere chegar no limite. Se mexer faz diferença em tudo: no corpo, na mente, na autoestima. Começa do seu jeito, mas começa”, aconselha.
A trajetória da jornalista mostra que a mudança não precisa começar com motivação perfeita, mas com decisão. Entre limitações, disciplina e constância, a jornalista Laura Holsback encontrou um novo caminho para lidar com a própria saúde e reforça, na prática, que nunca é tarde para começar.













