
Campo Grande foi escolhida para integrar o Circuito Brasil Gigante, que reúne oito das maiores maratonas do país. Com isso, a capital sul-mato-grossense passou a dividir espaço com destinos consagrados da corrida de rua brasileira, como São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e João Pessoa, consolidando-se como referência nacional no turismo esportivo.
Por trás dessa conquista está a visão empreendedora de Kassilene Cardadeiro, fundadora da Maratona de Campo Grande e do Bonito 21K. Ela transformou o esporte em uma ferramenta de desenvolvimento econômico, promoção turística, geração de oportunidades e fortalecimento da imagem de Mato Grosso do Sul.
A história começou há 13 anos, durante uma viagem aos Estados Unidos, quando Kassilene participou da Meia Maratona de Las Vegas. Mais do que uma corrida, ela enxergou uma indústria em movimento. “Hotéis lotados, restaurantes movimentados, famílias acompanhando atletas e milhares de pessoas viajando motivadas por uma experiência esportiva.”
Formada em Turismo e conhecedora dos desafios da sazonalidade turística, ela voltou ao Brasil com uma certeza: o esporte poderia ser muito mais do que lazer ou competição. Poderia ser um motor de desenvolvimento regional.
Foi dessa visão que nasceu o Bonito 21K, criado para atrair visitantes a Bonito em um período tradicionalmente marcado pela redução do fluxo turístico. O que começou como uma aposta se transformou em um dos principais eventos esportivos do Centro-Oeste.
Hoje, o Bonito 21K leva mais de oito mil pessoas para a cidade todos os anos, movimentando hotéis, restaurantes, agências de turismo, atrativos, transportadoras, pequenos empreendedores e dezenas de prestadores de serviços. “Já estamos em nossa décima segunda edição”, destacou Kassilene.

Maratona de Campo Grande
Com a experiência acumulada em mais de uma década de organização de eventos esportivos, Kassilene decidiu enfrentar um desafio ainda maior: criar uma maratona capaz de colocar Campo Grande definitivamente no mapa das grandes corridas do Brasil: a Maratona de Campo Grande.
Em apenas cinco edições, a prova se tornou um dos eventos esportivos mais relevantes da região Centro-Oeste. Em 2026, a expectativa é reunir seis mil atletas em percursos de 42 km, 21 km, 10 km, 5 km e corrida infantil. “O crescimento no número de participantes ultrapassa 350% desde a primeira edição”, citou a empresária.
A consolidação do evento ganhou reconhecimento nacional, e o impacto econômico acompanha essa evolução. Cerca de 40% dos inscritos vêm de outros estados, muitos acompanhados de familiares e amigos. São pessoas que permanecem por dois ou três dias na cidade, movimentando hotéis, restaurantes, aplicativos de transporte, postos de combustíveis, supermercados e o comércio local.
Grandes eventos esportivos realizados em Campo Grande já chegaram a injetar até R$ 2,8 milhões na economia regional em um único final de semana. A Maratona de 2026 promete ser um desses grandes momentos para a capital.



A nutricionista Bruna Cavalazzi, do Rio de Janeiro, já se prepara para correr pelas ruas da Cidade Morena. “Vou levar um grupo comigo”, contou.
“Vou levar um grupo comigo”, contou.

Esse movimento mostra que a Maratona de Campo Grande já ultrapassou as fronteiras locais. A prova começa a atrair atletas, famílias e histórias de diferentes regiões do país, fortalecendo o nome da cidade no cenário nacional da corrida de rua.

A visão empreendedora de Kassilene também elevou o padrão técnico dos eventos realizados em Mato Grosso do Sul. A Maratona de Campo Grande está no seleto grupo de provas certificadas com Permit Ouro pela Confederação Brasileira de Atletismo, a mais alta certificação nacional para corridas de rua.
Em 2026, o evento também sediará a etapa Centro-Oeste do Campeonato Brasileiro de Corrida de Rua, atraindo atletas de elite e ampliando ainda mais o alcance da competição.
Para Kassilene, o esporte tem força para transformar vidas, combater o sedentarismo, promover saúde e criar oportunidades econômicas sustentáveis para as cidades.
“Correr vai muito além da linha de chegada. Cada quilômetro percorrido gera desenvolvimento, oportunidades e crescimento para milhares de pessoas”, comentou.

Percurso com altimetria negativa
Entre as novidades da próxima edição, uma das que mais chamou a atenção dos atletas foi a mudança nos percursos, que agora contam com altimetria negativa, ou seja, mais descidas do que subidas.
A proposta é oferecer uma experiência mais fluida, técnica e favorável para quem busca melhorar o desempenho. “Este ano temos novidade em todos os percursos, que serão mais tranquilos, com mais descida do que subida, mais planos. Antes, nossos percursos eram considerados mais desafiadores. Agora, devem favorecer a performance dos corredores para bater seus recordes pessoais e conquistar índices”, explicou André Milani, diretor técnico da prova.


No sábado, a largada e a chegada da prova de 5 km serão no Comper Itanhangá. No domingo, as provas de 10 km, 21 km e 42 km largam no Parque dos Poderes, com chegada também no Comper Itanhangá.
O local será ainda sede da expo da prova, reunindo lojas, produtos, serviços e opções voltadas à saúde, ao bem-estar e ao universo esportivo.
Outra novidade é o desafio das distâncias combinadas. Quem correr 5 km no sábado e qualquer distância no domingo garantirá uma medalha exclusiva do desafio. Com isso, a Maratona de Campo Grande se torna a primeira prova a trazer essa tendência das grandes corridas para Mato Grosso do Sul.
A prova também entrou no calendário oficial de eventos da Capital, sempre no primeiro fim de semana de julho, por meio da Lei nº 7.533, proposta pelo vereador Herculano Borges.
Mais do que uma competição, a Maratona de Campo Grande se consolida como um encontro entre esporte, turismo, saúde, economia e pertencimento. Uma corrida que movimenta atletas, famílias, empresas e cidades, mostrando que, quando existe visão, planejamento e paixão pelo que se faz, cada passo pode abrir caminho para um novo ciclo de desenvolvimento.














