Não é só uma gincana. O Undokai é movimento de vida, brincadeiras em família — como na época em que os imigrantes japoneses viviam em colônias.
Na 39ª edição da tradicional gincana da comunidade nipo-brasileira, realizada em Campo Grande, o que se viu foi muito mais do que competição: histórias que se cruzam, famílias que se reencontram e gerações que seguem conectadas pelo tempo.
Eu acompanho o Undokai desde criança — e, mais uma vez, me emocionei.
Entre os estreantes, o pai Ronaldo Rodrigues Moisés participou pela primeira vez ao lado da filha Lua, que se encantou com as brincadeiras e, principalmente, com a corrida atrás de doces. “Fui convidado por amigos do beisebol e adorei. A Lua ficou super animada”, contou.


A tradição também atravessa cidades. Cynthia Nakaya Kinoshita Centurião, de 43 anos, saiu de Bela Vista para manter o costume que carrega desde a infância. Hoje, divide a experiência com os filhos. Entre as modalidades, a preferida dela é a corrida das três gerações; uma das mais simbólicas do evento.



E foi justamente nessa prova (Corrida de Três Gerações) que emoção e história se encontraram.
A acadêmica de nutrição Danielle Ayumi Sassaki, de 19 anos, correu ao lado do pai, Vitor Sassaki, e da avó, Elza Sassaki, de 71 anos. O trio venceu a disputa. Logo atrás, em segundo lugar, ficaram Iuri Higa Fróes Soares, de 10 anos, com a mãe Tatiane e a tia-avó Clarinda Higa, de 77.


Enquanto aguardavam a largada, Elza e Clarinda se reencontraram. Trabalharam juntas anos atrás, em uma loja de fotocópias em Campo Grande. Os laços se multiplicam: Vitor e Tatiane foram colegas na escola; Danielle é amiga da prima de Iuri.
“Isso é o Undokai: encontro de famílias que mantêm laços de amizade ao longo das gerações”, resumiu Clarinda.



A integração também chamou a atenção de quem observa de fora. O delegado André Matsushita destacou o valor do evento. “É um privilégio ver essa convivência entre jovens e idosos”, afirmou.

Entre os voluntários, a acadêmica de engenharia Larissa Aderno, de 19 anos, participou pela primeira vez e se impressionou com o que viu — e registrou. “Tudo tem tradição, amor e união de gerações”, disse.

Com 19 modalidades, que vão de crianças de 2 anos a idosos acima dos 70, o Undokai segue sendo mais do que uma gincana. É um espaço onde o tempo não separa — aproxima.
E é isso que faz, ano após ano, essa tradição continuar viva e em movimento.
























