Do sonho de ser técnico à transformação de vidas: a história de Marcelo Miranda

Tem gente que descobre cedo a paixão pelo esporte e há aqueles que já nascem dentro dele. Com Marcelo Ferreira Miranda, de 58 anos, foi assim.

Antes mesmo de entender o que era disciplina, rotina ou performance, ele já estava cercado por tudo isso. O esporte fazia parte da família, da rotina e, principalmente, de sua identidade. “Meu pai jogou no Operário, meu irmão no Comercial. Então, isso sempre esteve dentro de casa.”

Eu diria nascido para vencer em competições, Marcelo encontrou o seu caminho no handebol. Ainda jovem, percorreu categorias de base, viveu o ritmo intenso de jogos e carregou um sonho muito claro: ser técnico.

Marcelo Miranda tem em sua missão formar campeões e vem transformando vidas em MS (Foto: Luciano Muta)

E esse sonho começou a ganhar forma em um lugar que marcou definitivamente sua história, foi no Colégio Dom Bosco que a paixão virou profissão.

O mesmo ambiente onde viveu intensamente o esporte na juventude se transformou no seu primeiro grande espaço como educador em Campo Grande. Ali, Marcelo começou a dar aulas de Educação Física e também assumiu o papel de técnico de handebol, acompanhando de perto a formação de atletas.

Mais do que um trabalho, o Colégio Dom Bosco foi um divisor de águas. Foi ali que ele entendeu, na prática, que queria viver do esporte. “Meu sonho sempre foi ser técnico.”

E ele foi; Marcelo se tornou técnico de equipes, comandou a seleção estadual por vários anos e conquistou o vice-campeonato brasileiro. Viveu a intensidade das quadras, a adrenalina dos jogos e a responsabilidade de formar atletas. “Ser técnico é algo incrível. Você forma pessoas, acompanha trajetórias. Foi uma fase muito especial.”

No entanto, nem todo sonho cresce em ambiente ideal. Com o tempo, o técnico Marcelo percebeu as limitações estruturais do esporte no Estado e precisou se reinventar.

Saiu das quadras, mas não saiu do esporte. Ao lado de seus irmãos (todos formados em Educação Física), eles construíram algo próprio. Literalmente.

Foram cinco anos de obra.
Sem pressa, sem estrutura, sem facilidades.“Era tudo muito aos poucos. A gente juntava o dinheiro e ia fazendo.”

Até que, em 1993, a Academia M3 foi inaugurada, no Bairro Santa Fé. No começo, sem cobertura, sem piscina aquecida, sem o cenário ideal. Mas com algo essencial: propósito.

E talvez seja isso que explica o que veio depois. Mais de 30 anos depois, o espaço não é apenas uma academia. É um lugar de transformação. “Já vi muita gente mudar de vida aqui dentro.”

“A melhor endorfina não vem do treino. Vem de saber que você mudou a vida de alguém”, disse Marcelo Miranda. (Foto: Luciano Muta)

O diferencial do trabalho da família, segundo Marcelo, sempre foi claro: não era sobre estética e, sim, qualidade de vida.

Muito antes de isso virar discurso, Marcelo já trabalhava com crianças, famílias e pessoas acima dos 40 anos, focando na saúde e no bem-estar. “Na época, quase ninguém falava disso. Era tudo performance.”

O tempo confirmou o caminho. Recentemente, ele realizou uma grande reforma na academia, com foco em acessibilidade, conforto e convivência, um ambiente mais inclusivo e acolhedor. “Quero que as pessoas se sintam bem aqui. Que seja um espaço de convivência também.” Hoje, a história de Marcelo não é só sobre esporte, tem adaptação, recomeço e continuidade. Para ele, não importa se está dentro de uma quadra ou de uma academia. “O que vale é nunca ficar parado, a gente precisa se movimentar”, disse.

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