Debaixo de um guarda-sol, encontrei uma história de maternidade que merece ser reconhecida neste Dia das Mães
O amor pela fotografia une o casal e o filho.
No meio do treino longo de sábado, eu parei de correr.
Ainda nem eram 7h da manhã. O frio tinha chegado com força em Campo Grande. Debaixo de um guarda-sol, bem agasalhados, estavam pai, mãe e um menino pequeno.
No meio de tantos kms, pace, relógios e respiração acelerada, aquela cena roubou completamente a minha atenção.
Não pensei duas vezes.
Pedi a câmera deles emprestada e registrei aquele momento.

(foto: Família Radical)

Depois, descobri que por trás das lentes existia uma história muito maior do que eu imaginava.
Felipe e Kethelyn vivem da fotografia. Ele há 15 anos e ela, há quatro anos e meio. Fotografam partos, ensaios, vídeos institucionais, trabalhos corporativos e também eternizam nossos treinos e corridas, em vários eventos, no Parque dos Poderes e passeios de banhistas no Ecopark.
Mas o que mais me emocionou não foi a profissão do casal e, sim, a família. Imaginei, como mãe, como seria carregar o pequeno ao trabalho.

Noah, o menino que acompanha o casal nas madrugadas de corrida, vai completar três anos em junho. Ele é o segundo filho deles. “Um bebê arco-íris.”
Antes dele, veio um anjo devolvido a Deus e a saudade.
Há cinco anos, Kethelyn perdeu a filha após complicações graves em um parto. Foram três meses de luta, UTI neonatal, esperança e despedida. Uma dor impossível de medir.
Anos depois, então, Noah chegou para transformar até o olhar fotográfico do casal. “Ele veio para me tirar da depressão. Veio para salvar a nossa vida”, conta a mãe.
E talvez seja impossível ouvir isso sem sentir alguma coisa por dentro.

Hoje, Noah cresce no meio das corridas, das viagens, das câmeras e do amor dos pais. Desde muito pequeno acompanha tudo. Já dormiu em um colchonete durante uma prova em Maceió, acordou antes do amanhecer para seguir os pais e aprendeu, ainda criança, que felicidade também mora nas pequenas aventuras da vida. O pai é super orgulhoso com a história deles e até o nome profissional foi escolhido, em dedicação ao filho. “Nós somos a Família Radical”, comentou Felipe, após me fotografar há mais de ano.
Enquanto muitos enxergam apenas fotógrafos registrando atletas, existe uma família inteira correndo junto; o casal que reaprendeu a sorrir.


E talvez seja isso que mais emocione: perceber que, às vezes, Deus devolve a vida em forma de recomeço.
Neste Dia das Mães, essa história me encontrou no meio de um treino. Afinal, eles estão sempre radiantes de alegria, o Noah também parece que nasceu para a fotografia e ao mundo esportivo.
“Ele nunca chora, é muito bonzinho”, disseram os pais.


Ficou impossível não compartilhar quem está por trás das câmeras, neste fim de semana, no Parque dos Poderes.
Porque algumas pessoas fotografam momentos, outras carregam, dentro delas, histórias capazes de tocar o coração da gente para sempre.














