Pipoca e corrida… Uma combinação polêmica

Correr sem inscrição em provas de rua divide opiniões: entenda o que é ser "pipoca" e onde está o limite entre o saudável e o desrespeito
Na corrida de rua, "pipoca" é quem participa da prova sem inscrição. Mas será que dá pra ser um pipoca "do bem"? (Imagem ilustrativa gerada por IA)

Na corrida de rua, "pipoca" é quem participa da prova sem inscrição. Mas será que dá pra ser um pipoca "do bem"? (Imagem ilustrativa gerada por IA)

Pipoca é algo que nos traz boas memórias. É praticamente unânime sua combinação com cinema e Netflix, seja com amigos, com a família ou mesmo sozinhos no sofá. Quem não gosta de pipoca, bom sujeito não é.

Mas, então, por que será que causa tanta polêmica, discussão e confusão nas corridas, já que nos traz lembranças de momentos agradáveis? Não conheço a origem do termo “pipoca” nas corridas, mas é fato que todos os que costumam participar desses eventos com inscrições, em algum momento, tomaram conhecimento do novo significado: participar da prova sem estar inscrito.

Correr ou praticar qualquer atividade física é recomendado por 10 em cada 10 profissionais da saúde, exceto para quem tem comorbidades. Sendo assim, é compreensível a vontade de entrar no meio daquela multidão correndo e compartilhar o momento. Uma atitude saudável, diriam os médicos. No entanto, essa participação “surpresa” e desavisada já gerou e continua gerando debates acalorados. É justo quem não fez a inscrição participar de um evento onde os outros participantes estão inscritos?

Sabemos que, em vias e locais públicos, não há como proibir o acesso aos cidadãos. Sendo assim, para correr nesses locais não há restrição por regra, exceto em alguns casos excepcionais, devidamente policiados e controlados pelas autoridades públicas competentes. Então, teoricamente, o pipoca não pode ser proibido de estar nos percursos em vias públicas. Mas a partir daí entram o bom senso, a ética, o respeito pelo próximo e uma certa dose de educação.

Passar pelo pórtico de largada e chegada é o primeiro erro dos pipocas. Isso atrapalha a cronometragem dos atletas inscritos, que precisam ter seus tempos registrados. Por que não evitar o pórtico, tanto na largada quanto na chegada? É só entrar e sair pelas laterais e fica tudo certo. Durante o percurso, utilizar a hidratação também pode prejudicar o desempenho dos atletas inscritos. Não custa nada o pipoca levar sua garrafinha de hidratação, não é mesmo?

Mas aí vem o mais grave: os pipocas que pegam medalhas. Aí entra uma atitude grave de ética, moral e educação, porque podem, inclusive, estar deixando atletas inscritos sem a medalha a que eles têm direito. Nesse caso, a única opção sensata é o pipoca não pegar a medalha mesmo, saindo do percurso antes da linha de chegada.

Praticar atividades físicas ou mesmo acompanhar um amigo ou familiar na prova, mesmo sem a devida inscrição e sem atrapalhar o desempenho de outros atletas, é algo que não pode ser visto com maus olhos. É um comportamento que pode até ser considerado saudável. Esse é o pipoca que desperta boas lembranças, como aquela pipoca acompanhando um bom filme ou programa. Ser uma pipoca “do bem” é apenas questão de observar algumas regras e orientações. E, claro, ter ética, moral, respeito ao próximo e uma boa dose de educação.

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