Lucimar Couto: a competição que começou no esporte, chegou ao jornalismo e ajudou a construir uma trajetória de 27 anos à frente do Campo Grande News
Durante muito tempo, reservar um momento da semana para jogar futebol não parecia exatamente uma atitude esperada de um empresário dedicado ao trabalho.
Lucimar Couto lembra que havia até certo constrangimento em dizer que estava saindo para jogar. “Era outro tempo”, disse.
Uma geração acostumada a associar trabalho sério a jornadas longas, presença constante e pouca margem para aquilo que hoje chamamos de qualidade de vida. Mas, Lucimar não abandonou o futebol.

Essa pode ser uma das chaves mais interessantes para compreender também sua trajetória profissional, porque, segundo ele, a competição começou muito antes do Campo Grande News.
Teve início no esporte.
Quando criança, a mãe dizia uma frase que ele nunca esqueceu: “Meu filho não gosta de andar por derradeiro.”
Lucimar cresceu, deixou de disputar apenas jogos e levou aquele impulso competitivo para outra arena: o jornalismo.
“Eu tinha isso no esporte quando era guri e trouxe para a vida profissional.”
Vieram a busca pela notícia, a vontade de chegar antes, o prazer do furo, da apuração e da descoberta.
Para ele, essa competição entre veículos também tinha um vencedor que estava fora das redações. “Era uma competição sadia. Quem ganhava era o leitor, que tinha uma notícia melhor, que tinha uma apuração.”

O Jogo Continua
Décadas depois, a competitividade segue presente também onde começou.
Lucimar continua jogando futebol e participa dos tradicionais campeonatos das madrugadas do Rádio Clube, em Campo Grande. E, para conseguir permanecer em campo, entendeu que já não basta simplesmente colocar a chuteira.
Entraram na rotina o fortalecimento muscular e os alongamentos, cuidados que ajudam a manter o corpo preparado para continuar fazendo aquilo de que gosta.


É uma mudança interessante de perspectiva.
O esporte que, em outra época, podia parecer uma interrupção do trabalho passou a ser entendido como parte do cuidado necessário para sustentar uma vida profissional longa, intensa e produtiva.
Lucimar fala do futebol com a mesma linguagem de quem fala de algo que continua provocando prazer.
Depois de um jogo ou de uma competição, conta, fica aquela sensação boa que permanece por algum tempo. “Você fica alegre”, comentou.
A endorfina que não aparece nos balanços de uma empresa, se manifesta no bem estar de quem comanda os negócios. “Com saúde, a gente enfrenta tudo”, disse o empresário.
Competir sem perder o limite
Essa característica também marcou sua trajetória no jornalismo.
Lucimar se lembra de situações em que a vontade de chegar primeiro à notícia o levou literalmente até onde os outros ainda não haviam chegado.

Em um acidente aéreo ocorrido na região de Campo Grande, saiu em busca do local da queda e conseguiu chegar antes das demais equipes de imprensa.
Registrou imagens exclusivas. No entanto, nem todas foram publicadas. “Teve fotos que eu não usei. A gente preservou.”
A lembrança mostra outro lado dessa competitividade.
“Chegar primeiro era importante.
Saber até onde ir também.”
27 anos depois
A trajetória profissional de Lucimar Couto ganhou neste ano mais um reconhecimento: o Senado Federal concedeu voto de aplauso pelos 27 anos do Campo Grande News e pela contribuição do jornalista à comunicação de Mato Grosso do Sul.

É uma homenagem a uma história construída em redações, coberturas, decisões empresariais e milhares de notícias publicadas.
Então, o Papo Endorfina resolveu olhar para outro detalhe dessa caminhada.
Para o menino que não gostava de “andar por derradeiro”.
Para o jornalista que queria o furo.
Para o empresário que levou a competitividade do esporte para a profissão.
E para o homem que continua entrando em campo, participa dos campeonatos das madrugadas, fortalece os músculos, alonga o corpo e se prepara para não precisar abandonar o jogo.

Eu diria que está aí uma boa definição de longevidade.
Não apenas continuar trabalhando. Mas, cuidar de si o suficiente para continuar fazendo também aquilo que dá prazer, porque sucesso profissional não precisa significar abandonar tudo aquilo que faz alguém se sentir vivo.

“Parabéns, Lucimar Couto!”













