Estudos já confirmaram: o fortalecimento é um grande aliado na prevenção de lesões, além, é claro, de ser parte fundamental da performance do atleta.
Para corredores, ele se torna parte essencial da rotina de treinamento. O Papo Endorfina conversou com o personal trainer Marcos Paulo, fundador da XMove Centro de Treinamento, que explica melhor o impacto do fortalecimento para o atleta.
“O trabalho de fortalecimento, a preparação física específica para a modalidade praticada, visa a prevenção de lesão e o aumento de performance, tanto durante provas e competições, quanto nas práticas do dia a dia”, comenta.
Para os corredores, sejam eles profissionais ou amadores, Marcos Paulo destaca a “economia de corrida”, almejada por muitos atletas.
“O músculo mais forte faz com que você tenha, durante a mecânica da corrida, uma economia de energia que te possibilita correr mais rápido, por uma distância maior. Então, o ganho de força vem com esse benefício tão importante para o corredor”, explica Marcos Paulo.
O treinador chama a atenção para um perfil muito comum na corrida de rua: pessoas que começam no esporte por volta dos 30 anos e que não possuem histórico de treinamento na adolescência ou no início da vida adulta – fator que pode torná-las mais suscetíveis a lesões.
Com a estabilidade da vida adulta, surge o tempo para se dedicar ao esporte. Por isso, muitos começam a correr nessa fase, e o fortalecimento aparece como um importante aliado para garantir longevidade na prática.
“A maioria das pessoas que correm hoje em dia são pessoas que começam a correr depois dos 35 anos, pela falta de tempo para se dedicar à corrida (…) Então, são pessoas que não têm um histórico de treino, que precisam acrescentar isso à vida para ganhar esse lastro de treinamento que não tiveram durante a adolescência ou no início da vida adulta”, comenta o treinador.
“Então, a gente precisa construir isso para que essa longevidade dentro do esporte aconteça”, conclui.
Muitos atletas chegam ao CT com uma prova alvo, já seguindo planilhas de corrida e precisando encaixar o treino de força na agenda.
“Então a gente precisa ‘apagar o incêndio’, chegar até aquele momento sem atrapalhar a planilha que ele já vem desenvolvendo. Trazemos para a realidade de hoje o que ele consegue fazer, e atendemos com o treinamento as necessidades da demanda do esporte”.
Para isso, é realizado um processo estruturado. Primeiro, a avaliação funcional, etapa em que são identificadas as capacidades e limitações do atleta, com base em parâmetros de biomecânica e perfil metabólico. Em seguida, é feita a análise dos treinos que já vêm sendo realizados. A partir daí, são definidas as demandas do esporte que precisam ser trabalhadas.
Com a maratona de Berlim à vista, major em que vão fazer a meia, o casal Thais e Filipe Tomazoni investiu no fortalecimento para a prova.
Thais, corredora há 15 anos, decidiu procurar por um treinamento mais específico após sentir desgastes físicos recorrentes.
“Eu corria há muito tempo e sempre achei que a musculação para corredor tinha que ser algo ‘fofo’, eu treinava bem leve, porque eu achava que não podia treinar forte. Aí comecei a ter alguns desgastes, não chegaram a ser lesões, mas ‘dorzinhas’ frequentes. Comecei a treinar pesado e nunca mais machuquei”, relata.
Para ela, a musculação fez toda a diferença.
“Por mais que você fique um pouco mais ‘pesada’, digamos assim, você está mais forte. Então, além de você correr melhor e mais preparada, você não tem lesão”, conclui.
Filipe, que corre há cerca de dois anos e meio, começou a buscar fortalecer os músculos há 1 ano, quando já treinava para correr longas distâncias.
“Senti necessidade devido ao cansaço nos treinos e nas provas. Com o fortalecimento, hoje não sinto essa mesma fadiga muscular. Eu percebi que a forma como eu treinava antes, que não era focada na corrida, afetava também, porque meu rendimento não é o mesmo”, comenta.
Para quem quer se manter ativo no esporte, o fortalecimento se consolida como parte indispensável do treinamento, e exige um espacinho na rotina, indo além da estratégia de performance e atingindo um espaço de autocuidado e preservação.













