Carrega no nome o título de campeã e não poderia ser diferente em sua estreia na Meia Maratona Cidade Morena Yeltsin Jacques

Ansiosa para provar que venceu mais um recomeço, Victoria Fernanda Dorileo D’Lana, de 33 anos, correu alegre pelas ruas de Campo Grande. Não foram apenas 21km com subidas e descidas, parecia atravessar a própria vida.  

Mãe do Túlio, das gêmeas Maria Luiza e Maria Helena, dona de casa, esposa de um militar do Exército Brasileiro e, acima de tudo, uma mulher que aprendeu a lidar com a novidade.

Porque recomeçar sempre fez parte da vida dela.

A cada três anos, mudança de cidade. Ruas desconhecidas. Rotinas inesperadas. Novas versões de si mesma.

Quando chegou a Campo Grande, em janeiro de 2025, não trouxe só malas. Trouxe também o peso de quase 80 quilos, a solidão de quem ainda não pertence e o silêncio de quem ainda está tentando se encontrar.

Tentou voltar ao vôlei, algo que sempre amou. Não deu certo.

O corpo também pediu pausa. Uma cirurgia necessária. Um limite imposto.

Mas foi justamente nesse momento — quando tudo parecia travado — que algo começou a se mover.

Primeiro, de uma esquina à outra.

Depois, um pouco mais longe.

E, sem perceber, Victoria começou a correr.

Ao lado do marido, Jhonatan, que também travava sua própria batalha e eliminava mais de 26 quilos, ela descobriu que a corrida não era só exercício. “Era cura, resposta, encontro.”

Veio a cirurgia em agosto. O tempo de espera. A ansiedade. A vontade de voltar. E, quando retornou à pista, chegou destemida. Em novembro, sua primeira prova: 10 quilômetros.

Resultado? 6º lugar na categoria.

Mas o que ela ganhou naquele dia não cabia em nenhuma classificação, ela ganhou a certeza de que estava viva, capaz de ultrapassar limites. “Em Curitiba, assistindo amigos cruzarem linhas de chegada, chorando por desconhecidos que também venciam suas próprias batalhas, nasceu o meu sonho de correr uma meia maratona”, comentou.

E então, ela foi premiada pela Bolt e conseguiu a inscrição de graça para Meia-Maratona Cidade Morena Yeltsin Jacques, treinou com o corpo e, principalmente, com a alma. Cada quilômetro era uma oração.

“Obrigada, Deus, por estar viva.
Obrigada pelas minhas pernas.
Obrigada pelo meu fôlego.”

Enquanto ela corria, quem estava por perto ouvia suas palavras.

Victoria não corre sozinha, ela tinha a parceria do marido e carrega com ela os filhos, a família, os amigos — a sua “elite”, como ela mesma chama, com carinho — e cada história de superação que cruzou o seu caminho.

Sem equipe formal, mas com pertencimento de sobra, foi acolhida por corredores que viraram casa: os Mazaropes de Cuiabá, o GTrun de Campo Grande.

E, então, naquele grande dia, Victoria superou as subidas e cruzou a linha de chegada. Ela conta que não correu só uma prova, ela descobriu uma força de quem aprendeu a nunca mais parar.

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