Danielle Lemoigne está vivendo seu melhor tempo

Três vitórias seguidas. (Foto: Luciano Muta)

Empresária há 14 anos, corredora há nove e atleta desde criança, Danielle vive em 2026 a melhor temporada de sua vida. No mesmo ano, bateu recordes nos 5 km e na meia maratona. Em três fins de semana consecutivos, correu os 21 km e foi campeã nas três provas. Agora, prepara-se para enfrentar novamente os 42 km, em setembro, na Maratona de Buenos Aires.

Na Quinta Casa, loja de decoração que Danielle Lemoigne comanda em Campo Grande, algumas frases parecem ter sido escolhidas para decorar mais do que paredes. “Fale com amor. Diga a verdade. Honre suas promessas.”

Elas também dizem alguma coisa sobre a mulher que está por trás do negócio.

Danielle fala de vendas com entusiasmo, de corrida com paixão e de Deus com a naturalidade de quem não separa completamente uma coisa da outra.

Há 14 anos, acorda sabendo que nenhuma venda está garantida. “É preciso abrir a loja, atender, conquistar, negociar, criar, resolver problemas e começar tudo novamente no dia seguinte.”

Foto: Luciano Muta

Na corrida, descobriu uma lógica parecida.

Há dias bons. Há dias difíceis. Há dor, cansaço e desconforto.

E é preciso continuar. “Resiliência. Suportar dores, incômodos e seguir sempre em frente.”

Foi essa a primeira relação que Danielle encontrou quando perguntada sobre o que os negócios ensinaram à corredora e o que a corrida devolveu à empresária.

Mas talvez exista outra resposta escondida em sua história: a capacidade de continuar acreditando no processo mesmo quando o resultado ainda não apareceu.

Danielle Lemoigne fala com entusiasmo sobre suas paixões: negócios e corridas (Foto: Luciano Muta)

Antes da corrida, veio o negócio

Danielle formou-se em Odontologia em 2008, em Campo Grande.

Quatro anos depois, em 2012, decidiu trocar um caminho profissional aparentemente mais previsível pelo risco de empreender. Nasceu a Quinta Casa e, em 2016, a Mateplas em Campo Grande. “Meus pais têm também a loja em Ponta Porã e eu cresci os ajudando no comércio.”

Foto: Luciano Muta

A corrida só entraria nessa história cinco anos depois.

O mais correto dizer, segundo ela, é que a corrida apenas encontrou um corpo que já conhecia o esporte.

Desde criança, Danielle esteve em movimento. Na adolescência, jogava handebol. A musculação nunca deixou sua rotina. “O esporte sempre fez parte da minha vida e eu gosto de desafios.”

Quando disputou sua primeira corrida de rua, em 2017, aconteceu algo incomum: Danielle já foi para o pódio.

Não era exatamente uma iniciante começando do zero, havia anos de preparação invisível antes daquela largada.

Nove anos para correr cinco quilômetros em menos de 20 minutos

Algumas conquistas parecem rápidas quando aparecem no cronômetro.

Mas o relógio não mostra o tempo que veio antes dele.

Em 28 de junho de 2026, Danielle voltou a Ponta Porã, sua cidade natal, carregando uma meta que perseguia havia anos.

Correr cinco quilômetros abaixo de 20 minutos.

Foram nove anos de treinamento até aquele dia.

Quando cruzou a chegada e viu o resultado, uma barreira deixou de existir: Sub-20.

Depois, escreveu: “Depois de 9 anos de muito treino, disciplina, paciência e persistência, conquistei meu tão sonhado sub-20 nos 5 km.”

De repente, a palavra mais importante daquela frase não seja treino, nem disciplina. “É paciência.”

Porque Danielle é competitiva, gosta de resultados e frequentemente vence provas. Mas diz que sua principal adversária não usa número de peito.

“Eu sempre busco ser melhor do que fui ontem, e não vencer outras pessoas. Eu acredito que o progresso vem da dedicação diária. Não só na corrida. Isso é na vida.”

Danielle Lemoigne se dedicou por nove anos para viver esse seu melhor tempo (Foto: Luciano Muta)

Aos 40, o corpo respondeu acelerando

Existe uma curiosidade na trajetória de Danielle.

Enquanto o imaginário popular costuma associar os 40 anos ao começo de uma perda inevitável de desempenho, ela chegou aos 40 vivendo justamente o contrário.

Está correndo mais rápido do que nunca.

Em 2026 transformou-se no ano dos seus recordes pessoais.

Depois do sub-20 nos 5 quilômetros, vieram os 21 quilômetros.

Na Maratona de Campo Grande, disputada em 5 de julho, Danielle terminou a meia maratona perto da marca de 1h29. “Era um resultado melhor do que havia imaginado para uma rotina que não é construída apenas de treinos”, disse.

Ela também é empresária, mãe, esposa e dona de casa. Danielle e Thiago têm três filhos: Thiago, de 12 anos, e as gêmeas Luise e Sophie, de 7 anos.

Uma semana depois, em Balneário Camboriú, outra meia maratona.

Novo grande resultado.

E, em 26 de julho, aconteceu uma daquelas histórias que parecem resumir bem quem ela é.

Danielle foi a Ribeirão Preto principalmente para acompanhar o filho em uma prova.

Resolveu também se inscrever, terminou os 21 quilômetros em 1h29min36s e levou o troféu de primeiro lugar.

A corredora que também precisa vender amanhã

O pódio pode criar uma ilusão. Quem vê Danielle chegando entre as primeiras talvez imagine uma atleta cuja vida foi organizada em torno da corrida. “Não é assim. No dia seguinte à prova, existe uma loja de decoração me esperando e uma livraria”, comentou.

Existem clientes, fornecedores, contas, decisões e metas. Há a necessidade diária de vender. Aí, se encontra uma parte menos visível de sua resistência. “Empreender durante 14 anos significa conviver com incerteza”, disse.

Afinal, não tem medalha por manter uma empresa aberta, não existe linha de chegada depois de um mês excelente. A todo momento, é preciso recomeçar.

Para Danielle, há ainda um elemento que atravessa essa rotina: a fé. Ela não abre mão de sua crença em Deus para permanecer firme nos negócios e na vida.

E procura conduzir a Quinta Casa e a Mateplas, ambos em Campo Grande, de uma maneira coerente com aquilo em que acredita. Com trabalho, amor, verdade e cumprindo metas.

A primeira maratona não facilitou nada

Se os 5 e os 21 quilômetros começaram a oferecer a Danielle resultados cada vez mais rápidos, os 42 quilômetros apresentaram outra lição em 2025.

Sua primeira maratona foi em Assunção, no Paraguai.

Ela chegou à prova depois de enfrentar uma lesão às vésperas da competição.

No dia da corrida, encontrou ainda vento e calor e, mesmo assim, terminou em 3h37min19s.

Um excelente tempo para qualquer estreante. Mas, principalmente, uma experiência que mostrou algo que o relógio sozinho não conta.

Durante o processo para maratona, chegou uma hora em que desempenho deixou de ser apenas velocidade. “Foi negociação com a dor, fisioterapias, o medo de não dar conta e com aquela parte da mente que pergunta se realmente é necessário continuar.”

Danielle continuou e correu sorrindo a sua primeira maratona e, agora, quer voltar aos 42 quilômetros.

Em setembro, ela estará na largada da Maratona de Buenos Aires para disputar sua segunda maratona.

Depois de um ano de recordes, será mais uma oportunidade para descobrir até onde ainda pode avançar.

Os filhos estão olhando

Existe ainda outra razão para correr.

Danielle sabe que os filhos observam muito mais aquilo que ela faz do que aquilo que ela diz.

Thiago, Luise e Sophie crescem vendo uma mãe que divide os dias entre família, empresa, treinos e competições.

Por isso, quando fala sobre seus resultados, rapidamente desloca a conversa do troféu para o processo.

“Tento inspirar meus filhos, honrar seu esforço diário e mostrar que sonhos são construídos passo a passo.”

É uma frase sobre corrida. Mas, poderia estar pendurada em uma parede da Quinta Casa. Para a empresária, negócios, maternidade, fé e esporte estejam ensinando a Danielle a mesma coisa por caminhos diferentes: aquilo que vale a pena raramente acontece de uma vez.

É construído. “Venda por venda. Treino por treino. Quilômetro por quilômetro.”

Nascida para vencer?

Danielle Lemoigne respondeu à pergunta com uma boa gargalhada.

Empreende há 14, corre há nove. É mãe de três filhos. Subiu ao pódio desde a primeira prova e chegou agora à melhor performance esportiva de sua vida.

Vendo de fora, existe a tentação de dizer que algumas pessoas simplesmente nasceram prontas para vencer.

A história dela sugere algo mais interessante, não é a mulher que nasceu pronta.

Passou a vida inteira se preparando, o handebol preparou alguma coisa, a musculação outra. “Os anos de comércio me ensinaram a ter resistência.”

A maternidade reorganizou prioridades, a corrida ensinou paciência e a fé ofereceu um lugar onde permanecer firme quando nem tudo depende apenas de esforço.

Aos 40, todas essas histórias parecem ter se encontrado e Danielle está vivendo seu melhor tempo.

Ela própria definiu isso de uma maneira simples: “Correr é a minha maneira de transformar esforço em conquista e sonhos em realidade.”

Nas lojas ou na pista, é exatamente isso que ela continua fazendo.

Um passo depois do outro.

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