Tem estreia que passa.
E tem estreia que marca.
A Meia Maratona Cidade Morena Yeltsin Jacques reuniu 2.091 inscritos, com 1.264 corredores nas ruas de Campo Grande — 554 nos 21 km, 664 nos 5 km e ainda a prova inclusiva com atletas PCD.
Mas, desta vez, os números não contam tudo.
Centenas de inscrições foram disponibilizadas gratuitamente em uma ação relâmpago da organização. E, com isso, muita gente viveu ali a sua primeira largada. O primeiro frio na barriga. O primeiro “será que eu dou conta?”. O primeiro encontro consigo mesmo no meio do percurso.



O organizador Carlos Porto, da Bolt Realizações, acompanhava tudo com brilho nos olhos. Era gente chegando, agradecendo, contando que aquela era a primeira vez.
Na linha de chegada, emoção espalhada.
No pódio, o atleta Yeltsin Jacques acompanhava a premiação, radiante não só pelos resultados, mas pela alegria de quem descobriu ali um novo começo.
Porque correr 5, 10 ou 21 quilômetros é importante.
“Atravessar a própria linha de largada, isso muda tudo”, comentou Yeltsin.
E foi ali, entre passos ainda inseguros e conquistas inesperadas, que muitos viveram sua primeira meia maratona.
Vamos conhecer essas histórias?
Aqui, encontra-se a primeira delas.
Estreia que vira pódio
A primeira meia maratona a gente nunca esquece.
A da Nayara Takeuchy já entrou pra história com o seu segundo lugar geral.
Ela não chegou ali pensando em tempo, nem em posição.
O plano era simples: terminar.
Nayara gerencia uma academia de cross e começou a correr em julho de 2025, com a assessoria Turma do Longo. Antes disso, vinha de um período pesado: uma empresa que não conseguiu recuperar, um divórcio e um acidente de moto.
A corrida apareceu como respiro. “Eu comecei sozinha e vi que aquilo me fazia bem psicologicamente.”
Foi o suficiente pra dar o próximo passo e entrar em uma equipe. O que era só válvula de escape começou a ganhar outro espaço: performance, visibilidade, parceiros e uma nova direção de vida.
Ela fez escolhas. “Deixei o crossfit para focar na corrida, principalmente por conta de uma lesão no joelho.
Mudei hábitos, parei de consumir álcool e decidi me colocar em primeiro lugar. Eu virei a chavinha. Prometi cuidar mais de mim, físico, psicológico e espiritual.”
A estreia na Meia Maratona Cidade Morena Yeltsin Jacques foi como um presente divino. No ano anterior, Nayara havia se inscrito para a Meia de Bonito, mas o acidente de moto impediu a largada.
Dessa vez, ela chegou.
Mesmo com dor nas subidas, com uma altimetria exigente e o corpo dando sinais nos quilômetros finais, seguiu.
Sem olhar relógio, sem pensar em colocação.
Até que percebeu. “As pessoas começaram a gritar, a torcida e foi aí que a ficha caiu. Eu pensava: olha onde eu estou.”
Nos dois últimos quilômetros, o corpo ameaçou parar. “Eu só pedia a Deus pra conseguir terminar, porque eu merecia viver aquilo.”
E vive, plenamente, chegou brilhando.
Não era só um pódio, era tudo o que ela atravessou até chegar ali.

E não foi só ela.
O treinador Fábio Alves celebrou uma conquista coletiva, com vários alunos estreando na meia maratona: “Cleia, Erick, Mariana, Maycon, Nayara, Gleiciane, Ana Paula, Graziele e Vinícius.”
Porque, no fim, cada estreia carrega uma história e algumas já começam memoráveis.




















