Cecília Fujimaki tem “pulo da alma” e entra no TOP 14 na Maratona de Tóquio

Desempenho de alto nível se mistura a um reencontro pessoal da atleta com suas origens no Japão

A maratonista de Campo Grande, Cecília Fujimaki, de 43 anos, conquistou a classificação TOP 14 entre as mulheres brasileiras na Maratona de Tóquio. O resultado impressiona. Mas, no caso dela, é apenas uma parte de uma viagem inesquecível.
Correr pelas ruas do Japão foi, ao mesmo tempo, desempenho e descoberta.
Ao longo da prova e dos dias que antecederam a largada, Cecília percebeu que aquela experiência ia além do esporte. Em cada detalhe da cultura, nos gestos, na organização e no silêncio respeitoso das ruas, havia algo familiar.
Não era coincidência e, sim, reconhecimento. “Foi tudo tão especial”, disse.


Filha de uma história que atravessa gerações, ela se viu refletida em um lugar que, até então, era apenas um sonho distante. E ali, no país de seus antepassados, começou a entender partes de si que nunca tinham sido nomeadas.
Mas talvez essa história já estivesse sendo desenhada antes mesmo da largada.
Cecília se inscreveu para a Maratona de Tóquio sem grandes expectativas. O sorteio é concorrido, disputado por corredores do mundo inteiro. Ainda assim, decidiu tentar.
E foi escolhida. O resultado saiu no dia 19 de setembro de 2025, exatamente no dia do seu aniversário.
Mais do que coincidência, um daqueles momentos que parecem encaixar todas as peças no lugar certo. Como se, de alguma forma, tudo já estivesse pronto para acontecer.
“Entender o porquê de muitos dos meus hábitos, das minhas manias e, mais do que tudo, estar com a minha família, com meu filho, com meu marido, tudo foi muito forte. Foi uma explosão. Foi o pulo da minha alma.”
A frase não fala de tempo, nem de ranking.
Fala de pertencimento.
Cecília chegou ao Japão como turista e acabou sendo entrevistada por uma emissora local no programa “O que veio fazer aqui?”. A resposta parecia simples: correr uma maratona.
Mas ela fez mais, Cecília cruzou a linha de chegada entre as melhores brasileiras e retornou com algo que não se mede em números.
Voltou diferente.


A disciplina que sempre carregou, construída ainda na infância, na natação, e fortalecida na corrida (na fase adulta), ganhou outro sentido.

O respeito ao processo, que sempre guiou seus treinos, passou a fazer ainda mais sentido quando reconhecido dentro da cultura que, de alguma forma, sempre esteve dentro dela.
E talvez por isso ainda pareça difícil acreditar. “Até agora, parece um sonho.”


Mas não foi, é tudo verdadeiro. É resultado de uma construção de estilo de vida, de entrega diária e se tornou um marco na sua trajetória. E, principalmente, o reencontro com suas origens. “Foi a minha melhor versão na corrida e o meu maior aprendizado sobre o orgulho de ter ascendência japonesa”, afirma.

Histórico de maratonista
Cecília fez a sua primeira maratona em Buenos Aires, em 2024. Dois meses depois, encarou a maratona de Brasília. No ano seguinte, foi pacer da Maratona de Campo Grande e, em agosto de 2025, concluiu a maratona do Paraguai. Recentemente, trouxe a medalha da Major de Tóquio.
No próximo dia 12 de julho, vai participar da Maratona de Porto Alegre. “Eu amo correr e, com o espírito japonês, vou sempre fazer o meu melhor.”

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