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Quem está por trás da câmera?

Quem está por trás da câmera?

Ana Luiza encontrou na fotografia um novo jeito de olhar o mundo

A chuva deste sábado afastou muita gente do Parque dos Poderes, em Campo Grande. Não teve treino para alguns corredores e também não teve o cenário habitual de fotógrafos espalhados pelo percurso, esperando aquele sorriso, uma passada diferente ou simplesmente o momento em que cada atleta parece mostrar sua melhor versão.

Foi justamente o dia cinzento que me fez lembrar de uma pergunta guardada há alguns meses.

Enquanto eu corria uma prova do Sesc debaixo de chuviscos, vi um registro feito pelo Foco Radical em que dois fotógrafos também apareceram na imagem. Em vez de estarem atrás das câmeras, estavam diante delas.

Quem eram eles?


A pergunta trouxe de volta uma série que o Papo Endorfina começou em abril: Quem está por trás da câmera?

Aproveitei a chuva e mandei mensagem.

Uma das respostas veio de Ana Luiza Lopes, de 20 anos.

E a história dela começa bem longe das pistas.

Ana cursa Artes Visuais na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e foi justamente na faculdade que segurou uma câmera profissional pela primeira vez.

Durante uma disciplina de fotografia, teve contato com câmeras DSLR disponíveis no curso e percebeu uma afinidade que até então não conhecia.

“Fiz algumas fotos e senti muita afinidade com a câmera”, conta.

Pouco depois, surgiu o convite que mudaria sua relação com a fotografia.

Victor Rodrigues, seu primo, a chamou para fotografar no Parque dos Poderes.

Vieram os corredores, as bicicletas, o movimento, os enquadramentos e a necessidade de aprender rápido a capturar momentos que duram poucos segundos.

Quanto mais fotografava, mais Ana queria entender aquele universo.

“Fui desenvolvendo muito mais gosto pela fotografia e quis ir atrás de aprender mais e trabalhar realmente com isso. Sinto que me encontrei nisso.”

Hoje, aos 20 anos, ela já vive principalmente da fotografia e do audiovisual. Seu principal trabalho é justamente fotografar atletas por meio da plataforma Foco Radical.

E existe uma realização especial em estar ali.

Para Ana, fotografar o esporte significa eternizar um momento importante para alguém.

Pode ser a primeira corrida. Uma chegada depois de meses de preparação. Um recorde pessoal. Ou simplesmente aquela foto que o atleta vê depois e pensa: “eu consegui”.

Mas o olhar artístico dela também segue por outros caminhos.

Ana se interessa especialmente pela fotografia de rua. Gosta de pessoas com roupas marcantes, grafites, prédios, carros passando e da mistura entre personagem e cidade.

Ela define esse trabalho como uma espécie de intervenção artística, uma forma de registrar e valorizar a cultura urbana.

Neste sábado, porém, nada de parque.

Quando a chuva começa depois que os fotógrafos já estão trabalhando, Ana conta que o jeito é improvisar: guarda-chuva, proteção para o equipamento e trabalho seguindo normalmente.

Mas quando o dia já amanhece tomado pela chuva, como aconteceu hoje, a câmera fica em casa.

Até a Corrida do Choque, prevista para a noite deste sábado, foi adiada para o próximo dia 19, às 20h.

Foi justamente por isso que conseguimos conversar.

Enquanto os corredores olhavam pela janela esperando o tempo melhorar, uma fotógrafa que normalmente passa horas procurando a nossa melhor imagem contou um pouco sobre a própria história.

E descobrimos algo que a fotografia muitas vezes esconde: atrás de cada câmera existe alguém construindo também a própria trajetória.

Ana Luiza ainda tem apenas 20 anos, porém já encontrou o lugar de onde quer continuar olhando o mundo.

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