Victor Rodrigues corre, fotografa e transforma esporte em projeto de vida
Na história da fotógrafa Ana Luiza apareceu um nome: Victor Rodrigues.
Foi ele, seu primo, quem a chamou para fotografar no Parque dos Poderes e ajudou a aproximá-la ainda mais da fotografia esportiva.
Mas quando fomos descobrir quem estava por trás daquela outra câmera, encontramos uma história que começou muito antes das corridas.
Victor Rodrigues tem 27 anos e fotografa há quase uma década.

Começou como auxiliar de um fotógrafo de casamentos, ainda muito jovem. Depois, aos 18 anos, ingressou no Exército, onde permaneceu durante sete anos e atuou na área de Comunicação Social como 3º sargento de Comunicação.
A fotografia já fazia parte da vida dele.
O esporte também.
Victor sempre foi ligado à corrida e participou de competições antes mesmo de transformar as pistas em ambiente de trabalho.
“Cheguei a pegar pódio em algumas delas”, conta, entre risos.
Mas foi em 2024, ainda no Exército, que conheceu mais de perto a fotografia esportiva.
E nessa história existe outra personagem essencial: Letícia, sua esposa.

Foi por influência dela que Victor se aproximou ainda mais desse universo. Os dois começaram juntos e criaram a REC Sport, voltada para a cobertura de eventos esportivos com fotografia e vídeo.
Desde então, as pistas passaram a fazer parte da vida do casal por vários ângulos.
Victor já esteve atrás da câmera em eventos como Bonito 21K, Maratona de Campo Grande, Corrida Sicredi, Corrida do Fogo e Desafio BOPE, entre outros.
Mas também conhece muito bem a sensação de estar do outro lado da lente.
Em 2025, correu sua primeira maratona, no Rio de Janeiro.

Fotógrafo e corredor, ele entende o que representa aquele instante em que um atleta encontra uma câmera no meio da prova.
E talvez por isso tenha aprendido a gostar até dos dias mais difíceis.


A chuva, por exemplo, já foi um problema.
“No começo sofríamos bastante com isso”, lembra.
Com o tempo, a experiência trouxe preparação. Hoje, equipamentos de proteção fazem parte da rotina para que o trabalho continue mesmo em condições climáticas adversas.
E Victor faz uma observação curiosa: eles gostam de fotografar na chuva.
Segundo ele, nesses momentos os atletas se soltam mais, se entregam à prova e acabam proporcionando registros mais espontâneos. “Rendem muitos registros legais.”
Mas existe um tipo de chuva que muda completamente a rotina: aquela que começa antes mesmo de o dia amanhecer.
Foi exatamente o que aconteceu neste sábado em Campo Grande.
Quando isso acontece, Victor e Letícia costumam brincar: “O que as pessoas fazem em um sábado?”
A pergunta tem motivo.
Nos fins de semana, eles normalmente estão no Parque dos Poderes ou em algum evento, acompanhando corredores e registrando histórias.
Quando não podem fotografar, aproveitam para cuidar das demandas das outras empresas ou simplesmente passar um dia chuvoso em casa.
Porque a fotografia esportiva acabou se transformando também em negócio.

Além da REC Sport, Victor e Letícia criaram a Sport 3D, empresa que transforma informações de GPS de uma prova em peças personalizadas.
Corrida, ciclismo, trekking ou natação podem virar um objeto que registra trajeto, distância e informações de um dia que, para muitos atletas, dificilmente será esquecido.
É outra maneira de fazer aquilo que Victor já faz com a câmera: preservar momentos.
E talvez a maior realização dele não esteja em uma fotografia específica, em uma prova ou em uma empresa.
Quando perguntado sobre isso, Victor rapidamente troca o “eu” pelo “nós”. “Falo nossa porque não faço nada sozinho. Tenho sempre a Letícia ao meu lado.”
Os dois estão juntos há oito anos.
Moravam no mesmo condomínio quando se conheceram. Victor nasceu em Campo Grande. Letícia nasceu no Japão e veio parar em Mato Grosso do Sul. “ As probabilidades são mínimas”, brinca ele.
Mas aconteceu.
E a fotografia, a corrida e o trabalho acabaram entrando nessa história a dois.
No próximo ano, eles pretendem viver uma mesma prova de perspectivas diferentes.
Victor vai correr sua segunda maratona.
Letícia estará trabalhando na cobertura fotográfica.
Um estará diante das câmeras.
A outra, atrás delas.
Depois de tantos quilômetros percorridos juntos, talvez essa seja uma boa imagem para resumir a história dos dois: seguir lado a lado, mesmo quando cada um está de um lado diferente da lente.













