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Bruno Rebello: 12 maratonas, um ano inteiro de disciplina e a certeza de que cada corredor tem sua própria história

Bruno Rebello: 12 maratonas, um ano inteiro de disciplina e a certeza de que cada corredor tem sua própria história

Foto: Luciano Muta

Aos 43 anos, treinador transformou uma brincadeira em desafio extraordinário: correr uma maratona por mês. A experiência mostrou os limites do corpo, a força da preparação e a importância de cuidar do atleta além da planilha

Tudo começou quase como uma provocação entre amigos. No Percurso Livre, grupo conhecido como PL, alguns corredores haviam criado o hábito de celebrar o aniversário percorrendo a mesma quantidade de quilômetros da idade que completariam.

Trinta anos, 30 quilômetros.
Trinta e cinco anos, 35 quilômetros.

Bruno Rebello faria 42. Mas havia um pequeno problema: correr 42 quilômetros já não representava exatamente uma novidade para ele.

Professor de Educação Física, treinador e maratonista experiente, Bruno começou a procurar algo que realmente pudesse tirá-lo da zona de conforto. Foi quando uma de suas alunas, Luciana Volci, lançou a ideia:
“E se você fizer uma maratona por mês?”

Bruno respondeu sem pensar muito: “-Então eu vou fazer.”

Naquele momento, ainda parecia apenas uma brincadeira. Uma dessas ideias que surgem durante uma conversa, provocam risadas e depois desaparecem no calendário. Mas, a ideia não desapareceu. “Meses depois, a aluna voltou a me perguntar se o desafio continuava de pé.”

E, para provar a si mesmo que levaria aquilo a sério, Bruno decidiu não esperar e, já, no dia 1º de janeiro de 2025, correu a primeira maratona do projeto que ocuparia todo o seu ano.

Era o começo de uma jornada de 12 maratonas, dezenas de treinos longos, viagens, encontros, homenagens e mais de 500 quilômetros percorridos somente nas provas principais. “Mais do que um desafio físico, foi um laboratório sobre disciplina, adaptação e os diferentes significados que uma corrida pode carregar”, comentou.

Uma maratona diferente a cada mês

Bruno não estabeleceu uma data fixa para correr. A cada mês, escolhia o melhor momento e, sempre que possível, criava uma experiência diferente.

Em fevereiro, correu dentro do Parque Ibirapuera, em São Paulo, aproveitando o fim de semana do aniversário da esposa, Danielle Madeira.

Em março, próximo ao próprio aniversário, realizou o desafio em Três Lagoas.

Em abril, saiu do Parque dos Poderes, em Campo Grande, e correu até o município de Terenos.

Outras maratonas aconteceram dentro do Parque dos Poderes, pelas ruas de Campo Grande e em provas oficiais.

Em julho, participou da Maratona de Campo Grande.

Em agosto, correu em Assunção, no Paraguai.

Em novembro, enfrentou a Maratona de Curitiba.

Para encerrar o ano, dobrou o percurso da Bonito 21K, completando novamente a distância de uma maratona.

Cada uma teve um cenário, uma dificuldade e uma história diferente. Mas todas faziam parte do mesmo compromisso: completar aquilo que havia começado.

As primeiras provas, porém, fizeram Bruno questionar se o plano realmente seria possível. “Quando terminei a primeira, pensei: ‘Que loucura’. Achei que não daria conta, porque foi muito cansativo”, lembra.

Na segunda maratona, o corpo ainda sentia os efeitos da anterior. E a terceira aconteceria apenas 15 dias depois.

Foi a partir de abril que algo começou a mudar. O organismo se adaptou ao volume, a recuperação se tornou mais previsível e a distância deixou de parecer um território desconhecido.
“A partir de abril, parece que virou uma chave. Comecei a dominar um pouco mais a distância. Passou a ser como fazer um treino longo.”

Embora todas as provas tenham contribuído para o desafio, uma delas ocupa um espaço especial na memória de Bruno: a Maratona de Curitiba.




A maratona em que tudo se encaixou

A prova foi a 11ª maratona daquele ano.

Curitiba é conhecida por um percurso exigente, com muitas variações de elevação. Ainda assim, foi justamente ali que Bruno alcançou o melhor tempo de sua vida: 3h23.

Mais do que o resultado no relógio, ele se recorda da sensação.

No quilômetro 30, Bruno corria próximo ao ritmo de 4min30s por quilômetro e não sentia o desgaste que normalmente aparece nessa fase da prova.

A segunda metade da maratona foi completada praticamente no mesmo tempo de sua melhor meia maratona. “Entrei em estado de flow. Não sentia cansaço, não sentia nada. Acho que tudo deu certo. Foi um estado de graça.”

Curitiba, no entanto, já tinha outro significado em sua trajetória.

Em uma participação anterior, Bruno havia corrido em homenagem ao sogro, que havia falecido. A cada placa de quilometragem, olhava para o céu e dedicava aquele trecho a ele.

Por isso, voltar à cidade, correr com tanta força e alcançar seu recorde pessoal tornou a experiência ainda mais marcante. “Terminei sentindo que poderia continuar correndo.”

Correr em casa também transforma a prova

Outra experiência especial foi a Maratona de Campo Grande.

Para Bruno, correr uma maratona na própria cidade possui uma força diferente.

O trajeto passa por lugares onde o atleta cresceu, trabalhou, viveu momentos importantes e construiu relações.

A paisagem não é apenas cenário. É memória. “Todo mundo que faz maratona precisa experimentar a sensação de correr em casa. Passar por lugares onde você cresceu e viveu partes da vida é diferente.”

A entrada no Parque dos Poderes e a presença das pessoas incentivando os atletas na chegada também fizeram da prova uma das mais importantes daquele calendário. “A Maratona de Campo Grande é uma das provas que todo maratonista daqui precisa fazer.”

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