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A rede que correu junto

A rede que correu junto

Embora a maratona seja uma prova individual, Bruno Rebello nunca esteve realmente sozinho durante o desafio.

No início, algumas pessoas receberam a ideia com desconfiança.

O treinador André Milani, por exemplo, riu quando soube do projeto. Mas, conforme os meses passaram e percebeu que Bruno realmente completaria o calendário, tornou-se um dos principais incentivadores.

A esposa, Dani, também teve participação fundamental, assim como Karine, Gisele, Luciana e outras pessoas que acompanharam diferentes etapas do projeto.

A fisioterapeuta Márcia Rota, da Fisiocentro, esteve presente durante todo o processo. Bruno fazia acompanhamento frequente, inclusive nas vésperas das maratonas.

Giovana Galiano também participou dessa rede de apoio.

Na Bonito 21K, a última prova do desafio, Bruno foi surpreendido por alunos que o aguardavam na chegada. A própria esposa entregou o troféu.

Foi o encerramento simbólico de um projeto que havia começado com uma frase lançada durante uma conversa.

Possível não significa recomendável para todos

Bruno completou as 12 maratonas sem lesões importantes. Em alguns momentos, os intervalos entre as provas foram de apenas 15 dias.

A experiência mostrou a ele o quanto o organismo humano pode se adaptar quando existe treinamento, planejamento e histórico esportivo.

Mas isso não significa que correr uma maratona por mês seja uma receita que possa ser reproduzida por qualquer pessoa.

Bruno faz uma distinção importante: completar uma maratona não é a mesma coisa que tentar atingir o desempenho máximo em todas elas. “O que você não pode é querer performar todos os meses. Aí existe risco de lesão.”

Durante o ano, apenas algumas provas foram encaradas com objetivo de desempenho. As demais fizeram parte de uma estratégia de controle de intensidade e construção de volume.

Mesmo com sua experiência profissional, Bruno reconhece que o acompanhamento de saúde também precisa fazer parte da vida do atleta. Durante o projeto, realizou exames laboratoriais e contou com suporte fisioterapêutico. Ele também assumiu o compromisso de fazer uma avaliação médica mais ampla.

A história, portanto, não deve ser interpretada como um convite para que corredores iniciantes acumulem maratonas.

É o relato de uma experiência individual, realizada por um treinador experiente, com anos de prática esportiva e capacidade para ajustar os treinos de acordo com as respostas do próprio corpo.

Disciplina para ir mesmo quando a vontade não vai

Em um projeto tão longo, nem todos os dias foram marcados por entusiasmo.

Houve manhãs em que Bruno acordou sem vontade de treinar.

Ainda assim, levantou e foi.

Para ele, essa é a diferença entre depender da motivação e construir disciplina.

“Existem dias em que você acorda e pensa: ‘Hoje eu não vou’. Mas, mesmo sem vontade, eu vou. Isso é disciplina.”

No fim dos treinos, a sensação quase sempre era a mesma:

“Não me arrependo de ter vindo.”

Bruno define seu foco como quase militar. Não porque o processo precise ser rígido ou punitivo, mas porque alguns objetivos exigem constância mesmo quando o entusiasmo diminui.

A motivação pode iniciar uma jornada. A disciplina é o que continua colocando um pé diante do outro.

Do corredor que jurava nunca correr uma maratona ao treinador com 20 provas

Bruno começou a correr de maneira mais estruturada em 2021, quando passou a seguir planilhas de treinamento.

Mas sua relação com a corrida começou antes.

Em 2011, participou da primeira meia maratona. Terminou em 2h21, caminhando em alguns trechos e sofrendo para chegar ao final.

Naquela época, dizia que jamais correria uma maratona.

Levou dez anos para fazer justamente aquilo que considerava impossível.

Hoje, soma 20 maratonas concluídas e prepara-se para a 21ª. “O impossível é apenas uma questão de opinião”, costuma dizer.

A frase, para Bruno, não significa ignorar limitações. Significa não transformar o medo, a dificuldade inicial ou a opinião de outras pessoas em uma sentença definitiva.

Há desafios que ainda não são possíveis. Mas “ainda não” é muito diferente de “nunca”.


Alongando o Papo Endorfina com Luciana Volci

Você imaginava que a sua brincadeira seria levada a sério?

Não. Conheço o Bruno há quase 20 anos. Ele é meu amigo e também meu personal, então treinamos juntos toda segunda, quarta e sexta. Em setembro de 2024, corri minha primeira maratona, aos 43 anos, e ele tinha 41 e já era maratonista. No final de 2024 comentamos o feito do Hugo Farias, que correu uma maratona por dia. Achei uma loucura. Em tom de brincadeira, falei: “Você não precisa correr uma por dia, mas podia correr uma por mês para comemorar seus 42 anos”. Ele gostou da ideia e transformou isso em um projeto que foi concluído com sucesso em 2025.

Quando começou, você se sentiu responsável? Acompanhou o desafio?

De certa forma, sim, porque a ideia surgiu da nossa conversa. Minha maior preocupação era ele se machucar, já que 12 maratonas em um ano é algo muito exigente. Mas ele conduziu tudo com planejamento e responsabilidade. Acompanhei toda a preparação, sabia dos percursos, das provas, das maratonas na esteira e acompanhava pelas redes sociais. Era muito especial ver cada conquista, principalmente a foto dele com a Dani no colo após cada maratona concluída.

Você achou uma loucura ou acreditava que ele conseguiria?

No início, achei uma loucura. Mas conhecendo o Bruno, sabia que, se alguém conseguiria, seria ele. Ele é muito disciplinado e comprometido. Ainda assim, uma coisa é acreditar na dedicação, outra é completar 12 maratonas sem lesão. Quando ele terminou, foi realmente impressionante.

Você faria o mesmo ou incentivaria outras pessoas?

Eu não faria. Minha primeira maratona já foi uma grande conquista. Também não incentivaria qualquer pessoa, porque exige preparo físico e mental muito sério. Não é para todos. Mas no caso do Bruno foi diferente: ele se preparou bem, respeitou os limites e completou tudo com sucesso e sem lesões. Foi uma conquista incrível e inspiradora.

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