Ao lado da amiga, a arquiteta Carolina Arruda, a primeira-dama de MS fala sobre amizade, campanhas eleitorais, a conquista dos 42 km e a liberdade de ser apenas mais uma corredora.
A primeira-dama de Mato Grosso do Sul, Mônica Morais Dias Riedel, encontrou na corrida uma forma de aliviar a pressão das campanhas eleitorais, realizar o sonho de se tornar maratonista e construir uma amizade que vai muito além das pistas.
Foi na Meia Maratona das Cataratas, em 2022, que Mônica e a arquiteta Carolina Arruda começaram a fortalecer uma amizade que hoje ultrapassa os quilômetros percorridos juntas.
De lá para cá, muita coisa aconteceu. Mônica tornou-se primeira-dama de Mato Grosso do Sul, atravessou duas campanhas eleitorais, completou sua primeira maratona em 2025, aos 55 anos, e continuou encontrando na corrida um espaço de liberdade.


Com Carol, como chama a amiga, não existem formalidades.
“Ela mesma fala que nem lembra que sou a primeira-dama”, conta Mônica, que gosta de estar no meio das pessoas e se sente à vontade no grupo de corrida.
“Eu não gostaria que tivesse essa diferença. Gosto de conversar com todo mundo. Continuo me inspirando em muitas pessoas, assim como hoje tenho o privilégio de inspirar alguém.”

Carol confirma. Para ela, a corrida aproxima pessoas que, fora dali, poderiam viver realidades completamente diferentes.
“Ali estamos de tênis. Somos duas corredoras, duas mães, duas profissionais. Temos liberdade para conversar, trocar experiências e nos apoiar. A corrida é uma das coisas mais democráticas que existem.”

Uma é o juízo da outra
As duas têm personalidades diferentes e fazem disso uma boa combinação.
“Somos o oposto. A Mônica é muito mais centrada, muito mais calma. Em uma prova, se estou sozinha, faço loucura, saio correndo fora do ritmo. Com ela, tenho aquela calma do meu lado. Eu falo que ela é meu juízo”, diverte-se Carol.
Mas a influência também acontece no sentido contrário.
Às vezes, a primeira-dama surpreende a amiga com atitudes mais espontâneas. E ganhou até uma expressão para isso.
“Ela fala que está ‘carolzando’”, revela a arquiteta, entre risadas.

Nos treinos, os assuntos não têm limites. Falam dos filhos, da casa, do trabalho, de comida e até de religião.
“Ela já me pediu para ensinar uma oração durante a corrida. A gente já treinou oração”, lembra Carol.
Os encontros acabam se transformando em uma espécie de terapia a céu aberto.
“A gente sempre sai aliviada. Troca experiências de vida, maneiras diferentes de ver as coisas”, resume a amiga.

O cansaço que faz bem
Mônica não abandonou os treinos nem durante os períodos mais intensos das campanhas eleitorais.
Ela explica que o desgaste de uma campanha é diferente daquele provocado pela corrida.
“Você sai esgotada no final do dia. A campanha é um trabalho muito pesado, com andanças e compromissos de manhã até a noite. Na corrida é diferente. Você pode terminar um treino de 35 quilômetros e sair feliz, mais animada.”
Para ela, correr é uma maneira de aliviar a tensão e encontrar disposição para enfrentar os compromissos.

“A corrida me desestressa. É uma coisa gostosa, faz distrair, pensar em outras coisas. Mesmo quando você está se desafiando, com tempo ou distância, termina com aquela endorfina.”
E isso não mudou quando passou a ocupar o papel de primeira-dama.
O sonho que começou com o pai
Em outubro de 2025, Mônica Riedel concluiu sua primeira maratona, em Chicago, nos Estados Unidos. Foram 42,195 quilômetros, uma conquista que tinha um significado especial.
A inspiração veio de casa.

Seu pai, Antônio Luiz Rodrigues Dias, que completa 78 anos nesta quinta-feira (15/10), também é maratonista.
Ao longo da vida, concluiu sete provas de 42 quilômetros. Mas, segundo Mônica, ele encarava a distância com tamanha naturalidade que fazia a maratona parecer uma tarefa simples. “Ele fazia os treinos o ano inteiro, ia lá, fazia a provinha dele e, na segunda-feira, voltava ao trabalho. Não ficava valorizando aquela conquista.”
Era um tempo sem Instagram, sem a exposição das medalhas e dos resultados nas redes sociais. “Eu até achava que era mais fácil fazer uma maratona, porque ele me passava essa tranquilidade.”
Décadas depois, quando chegou sua vez, Mônica descobriu o tamanho do desafio.
A preparação para Chicago, porém, aconteceu como havia planejado. Os treinos foram cumpridos, sem lesões ou grandes imprevistos.
“Foi um ciclo maravilhoso, abençoado. Eu estava tão bem, fazendo tudo o que precisava fazer, que às vezes pensava: como será lá?”

Na prova, optou pela cautela. Mais importante do que buscar uma marca ousada era cruzar a linha de chegada.
“Fui bem conservadora porque queria terminar. Seria uma frustração chegar lá, depois de tudo, e errar por me empolgar demais. Fiz o que estava planejado.”
A experiência foi tão positiva que ela admite até certo receio de não conseguir repetir tudo da mesma maneira em outra maratona.
Eduardo também entrou na corrida
O governador Eduardo Riedel acompanhou a preparação da esposa e apoiou a decisão de enfrentar os 42 quilômetros.
“Eu falei: este ano vou fazer isso, vou ter esse desafio. E ele me apoiou do começo ao fim.”
Em Chicago, o casal também viveu um momento esportivo juntos. Na véspera da maratona, Eduardo participou de uma prova de cinco quilômetros ao lado de Mônica.

“Fiquei superfeliz de ele ter ido. Para quem não estava treinando, cinco quilômetros também eram um desafio.”
O governador já participa da Corrida dos Poderes, embora, segundo Mônica, ainda não consiga manter uma rotina de treinos que permita aos dois correrem juntos com frequência.
O legado que fica nas pessoas
Idealizadora e incentivadora da Corrida dos Poderes, que chega à quarta edição, Mônica acredita que o evento ultrapassou a proposta de uma competição esportiva.
Ela conta que recebe depoimentos de pessoas que começaram a praticar atividade física e perceberam mudanças na própria vida e na rotina familiar.
“Às vezes, a pessoa não se sentia à vontade para fazer outro esporte e ali se identificou, porque faz uma competição consigo mesma.”

Para Mônica, existe uma diferença entre realizar um evento e deixar um legado.
“Eu acredito que o legado é uma coisa que você deixa nas pessoas, não para as pessoas.”
A Corrida dos Poderes é um evento oferecido à população. Mas a confiança, a superação e o sentimento de vitória que cada participante leva consigo representam, para ela, a verdadeira conquista.
Corrida dos Poderes: inscrições abrem dia 20
A quarta edição da Corrida dos Poderes será realizada no dia 7 de novembro, em Campo Grande, com 4.200 vagas disponíveis.
As inscrições começam nesta terça-feira (20/10), às 9h, pelo site www.corridadospoderes.ms.gov.br.
Serão 3.500 vagas destinadas a servidores públicos, 500 ao público geral e 200 para a corrida kids.
Mônica aproveitou a entrevista ao Papo Endorfina para deixar o convite:
“Então, gente, não se esqueçam! Dia 20, às 9 horas, coloquem o despertador, porque serão abertas as inscrições para a Corrida dos Poderes.”
E, claro, chamou a companheira de treinos:
“Carol, você vai comigo?”
A resposta veio sem hesitação:
“Eu vou! Vamos fazer esses 5 km!”
E os próximos 42 quilômetros?
Se depender de Carol, a próxima grande aventura será compartilhada.

As amigas já conversam sobre correr uma maratona juntas. Mas, por enquanto, têm objetivos diferentes.
Carol sonha em completar uma meia maratona abaixo de duas horas. Mônica já pensa em percorrer os 42 quilômetros em quatro horas. “Ela é muito mais centrada. É a cabeça da relação”, brinca Carol.
A arquiteta confessa que a distância de uma maratona ainda lhe causa medo, mas a confiança na amiga fala mais alto.
“A gente tem a ideia de fazer uma maratona juntas. É uma distância que ainda me dá medo, mas ela disse que vai ser tranquilo. Se for para treinarmos juntas, eu vou de olhos fechados.”
A amizade que ganhou força em uma meia maratona, em 2022, agora inspira as duas a percorrerem o dobro da distância.



Porque a corrida não se resume a quilômetros, tempos e medalhas. São as pessoas que encontramos pelo caminho que tornam cada conquista especial.
E isso é o verdadeiro Papo Endorfina.













